Saturday, February 25, 2006

A Queda

"Adão e Eva expulsos do Paraíso" - Franz Von Stuck
Perdem-se os séculos no pó que lhes desfigura os rostos cansados. O Ancião dos Dias, ergue o dedo acusatório num prenúncio de silêncio. Para lá da fronteira do tempo, o ilimitado ergue-se num mar de imortalidade. O Pai devora o filho. Triste cenário sobre o qual se fundem as realidades humanas. Trágico fim o de todo homem.
Mas há dois tipos de loucura. A que alimenta os banais, na ilusão de que a vida é apenas o que vivem e pensam ver. E a que inspira os filhos dos anjos. Em ambos os casos, têm de existir necessariamente uma grande dose de loucura. Quer seja para sermos cordeiros ou para sermos lobos. Se há algo comum a todos os homens é a Moria.
Moria - Loucura

Friday, February 24, 2006

A Loucura admitindo-se louca, será mesmo louca?

Se dizes ser louca é por que não o és de verdade.
Um louco nunca admite que é louco, pois não?”


Silver-Bullet

A Loucura meditou longamente sobre esta questão. E chegou a duas conclusões diferentes:

1 – Moria é definitivamente louca, como é que se poderia descrever alguém que só quatro dias depois do atentado de 11 de Setembro, soube da sua existência? O que chamar alguém, que ainda não elaborou uma teoria ultra-complexa, para explicar a sua opinião sobre o dilema da Guerra do Iraque, mais o Irão a mistura, refinado com o terrorismo islâmico? E que se ri, quando vê meninos e meninas a declamarem belos discursos sobre a beleza de um Quinto Império, que se afogou no tempo e no mar, muitos séculos antes desses mesmos meninos e meninas nascerem. E que prefere deixar-se chocar pelas vitimas aristocráticas da Europa durante a Revolução Francesa, do que pelos Judeus mortos durante o Nazismo.

2 – Moria é novamente louca, porque só um louco está convencido que toda a gente a sua volta é louco, menos ele mesmo.
Moria - a Loucura

Thursday, February 23, 2006

O Reflexo da Loucura

A Loucura sempre foi curiosa. Uma das suas “curiosidades” era saber como é que os comuns mortais a vêem ou imaginam. Em busca de resposta, a Loucura fez uma pesquisa por imagens no google, eis o que lhe apareceu (entre outra série de descalabros) :
Ao ver isto, a loucura ficou inconsolável...
A Loucura pode ser louca, mas não é desgrenhada e sebenta.
Até a loucura mantém o seu mínimo de elegância.
Moria - a Loucura
P.s: A Loucura venceu a guerra com o template, permitindo que tudo ficasse como já estava antes, com a excepção do maldito (três vezes maldito!) contador, que foi abandonado. Para que o "balanço" não fosse apenas negativo, a Loucura deixou o seu contacto de e-mail.

Tuesday, February 21, 2006

A Loucura encontra-se neste momento, em guerra com o template deste seu humilde antro.
Guerra esta que obviamente vencerá, nem que para isso, tenha de deixar tudo como está. O que seria verdadeiramente absurdo, mas a Loucura é louca, pelo que não se pode pedir muito.

Moria – a Loucura

Monday, February 20, 2006

O Louco

"Das Narrenschiff" - Sebastian Brant
Será a Justiça cega porque o louco assim a fez?


Saturday, February 18, 2006

A Loucura saí a noite....

Pensei seriamente chamar a este pequeno texto: “A louca corrida renhida entre três piolhos bêbados e o velho que só mexia os dedos”, porém, achei que deveria tentar ser mais subtil e quem sabe, simpática. E não permitir que o meu celebre sarcasmo fala-se mais alto, mas o que dizer? Como já aqui se disse, a Loucura adora gógós! Simplesmente adora-os, são girissimos.
Como o título indica, a Loucura saiu à noite e foi “obrigada” (sim porque uma vez invocada, a Loucura têm o dever de comparecer) a entrar num desses recantos obscuros com fama de “bar gógó”. Tendo penetrado nesses antros com mau-humor, rapidamente se sentiu feliz e aliviada, afinal não havia qualquer rasto de sanidade em tal local. Encostada a uma parede, observou passivamente a pista de dança.
Ao som de qualquer música desinteressante, uma criatura abominável de cabelos compridos (como é marca de registo de todo o “bom” gógózinho) balançava-se histericamente, enquanto rodopiava freneticamente a cabeleira. Sou sincera, não sei se seria capaz de tal rodopio, aliás, vi uma rapariguita muito querida, com a tradicional mini preta e aquelas botas que lhes oferecem simpaticamente mais dez centímetros e a ilusão de que são altas, quando são meros tocos, a cambalear quando parou com o rodopio. Sinal de que sim, é verdade, ninguém normal aguentaria o famoso rodopio ou efeito de ventoinha sem vomitar largamente.
Mas voltemos a “abominável criatura”, o homem, ajoelhava-se no chão com as mãos ao alto, gritava ou pelo menos mexia a boca como se o fizesse, depois parava, e ficava estático como se tivesse engolido um garfo ou estivesse com hemorróidas, quando de súbito, voltava a mexer – apenas e só, a cabeça! Lindíssimo! A sensação que dá, a quem observa tão fantabulástico episódio, é que se trata de uma corrida entre piolhos. Pois sim, imaginem por momentos a cena: a dita criatura abominável no centro da pista e duas gógós umas de cada lado.
Uma meia-ruiva (sim refiro-me aquelas cabeleiras vermelhas, que de “ruivo” tem só o rotulo) que parecia possuída pelo demónio, gorda como um nabo, enfiada (literalmente enfiada, como se fosse um chouriço) numa espécie de corpete (extremamente piroso, de cetim preto, com umas fitinhas cuja cor me escapou completamente) e com uma saia pelo chão. Parecia a encarnação de uma lavadeira qualquer, mal amanhada de inícios de século, feita viúva recentemente.
A outra rapariga, parecia levemente sóbria, pelo que tive imensa pena dela, não conseguia abanar a cabeça a mesma velocidade que a outra e que o abominável, mas com tanto movimento, ainda me conseguiu acertar com a cabeça no nariz, o que deverá ser um sinal de que se estava a esforçar a pobrezita.
Porém, de repente, sem que ninguém estivesse a contar, aparece vindo do W.C. masculino, uma personagem parecida com um E.T. Não me perguntei porquê, aparentemente era um homem já entradote na idade, normal, mas quando se colocou estrategicamente no meio da pista, firme e hirto, com os braços estendidos na horizontal e apenas a mexer a ponta dos dedos, juro que pensei: olha o meu compadre. A pobre alma ou criatura, como preferirem, terminou a noite sentado no chão da tão afamada pista, com a língua de fora e novamente os braços estendidos, era, de facto, a visão de decadência humana no seu auge.

A Loucura sentiu-se verdadeiramente realizada, mas (e é necessário sublinhar) a Loucura não é gógó, simplesmente gosta de gógós, assim, como gosta de metaleirozinhos e freaks. Sendo que entre os seus preferidos se encontram os comunas e os monárquicos. Sim, porque nada há de mais louco que a política. A Loucura só não acha piada ao Irão ( agora esta na moda só falar-se disso, para dar ares de intelectual), nunca achou. Porque razão, não acha a Loucura piada ao Irão? Sei lá! A loucura tem loucuras que a própria loucura desconhece.

Moria – a Loucura

Friday, February 17, 2006

Manias

Ora bem, sendo eu a própria Loucura, seria de estranhar que não possuísse estranhas “manias”. Confesso que a difícil missão, não foi encontrar cinco para partilhar com os meus lunáticos leitores, mas sim, seleccionar apenas cinco da fabulástica gama de “manias, taradices e excentricidades” que guardo religiosamente.

Vejamos pois...

1. A Loucura tem o estranho hábito/mania de dormir de braços e pernas cruzadas, com dois pares de meias, uns sobre os outros. Tal hábito mantém-se seja inverno ou verão.
2. A Loucura tem a mania de “observar” os que a rodeiam. Passo a explicar, imaginem-me a mim, a encarnação plena da loucura, a olhar de olhos arregalados as pessoas a minha a volta e as suas conversas, de forma terrivelmente indiscreta. Pior, envolvendo-me por vezes nas conversas desses desconhecidos.
3. A Loucura tem o estranho hábito, de não permitir que toquem nas suas coisas e de ser absurdamente ordenada na sua desarrumação. Pode estar tudo em pantanas, mas mesmo assim, a Loucura sabe perfeitamente onde deixou cada coisa.
4. A Loucura só vê cinema francês. E odeia americanos. O Bush não foi criação sua, e muito menos é inspirado por ela. Com efeito, há muito tempo que atravessou os limites da Loucura.
5. A Loucura, por fim, conta todas as vezes que chamam pelo seu nome – hoje já vai em 24 vezes – odeia ser invocada em vão.

"Cada blogger nomeado tem de enumerar cinco manias suas, hábitos pessoais que os diferenciem do comum dos mortais.E além de tornar público o conhecimento dessas particularidades, terão de nomear cinco outros bloggers para participarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs, aviso do "recrutamento". Além disso cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog."

São convocados pela soberana loucura, os seguintes bloggers: ViraMundo – Ribeira Negra – Dewdrops – A Casa da Floresta – Paradise Lost.
Moria - a Loucura

Friday, February 10, 2006

Dalí

Salvador Dalí - A Tentação de S. António


O Mesmo tema, dois geniais quadros .
E para vocês, meus queridos loucos, o que é a tentação?
Moria - a Loucura

Thursday, February 09, 2006

Bosch

Hieronymus Bosch - Temptation of St. Anthony


Moria

Wednesday, February 08, 2006

Um pouco de cultura visual

William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) - Nymphs and Satyr

Porque raio, têm a loucura um blog? Parte II

“A pedido de algumas famílias” (até a loucura acha está “antiga”), voltamos a rever o herético e infame texto que se encontra embaixo – referimo-nos a Parte I – assim sendo, e sob a pena da loucura nunca poder ser considerada monótona e pouco original, onde se lê:

Desde meninas e meninos de 13 anos que entre os pokemons e o harry potter, começam a alucinar depressivamente ou porque o cão foi atropelado ou porque a mãe lhes bateu; até rapazinhos e rapariguinhas com 15/16 aninhos armados em pseudo-gógós (ai ai, como a loucura adora a expressão gógó!) deixando longas cartas de suicídio

Compreenda-se, então, não só os meninos e meninas de 13 anos que gostam dos pokemons e do harry potter, como também aqueles que não gostam de nenhum dos dois e preferem borboletas esvoaçantes cor-de-rosa claro com imagens do Senhor dos Anéis colocadas por cima das ditas borboletas em fundo amarelo canário. Ou pior ainda! E esta é só para as meninas – as que fingem ser lolitas, enfeitando os seus blogs com imagens picantes de outras meninas – quando na realidade, são apenas, elefantes gordos com longos tufos de cabelo pintado, como não poderia deixar de ser, de amarelo canário e longas argolas de ouro enfiadas pelas orelhas a baixo, à moda da vulgar peixeira.
Pelos rapazinhos e rapariguinhas de 15/16 compreenda-se não só os pseudo-gógós, mas também os não pseudo-gógós – indo mais longe, aqueles que desconhecem por completo a realidade pseudo-gógózeira (sim, como vêem, a loucura sempre original, acaba de inventar uma nova palavra de bom-gosto duvidoso!). Num novo e enorme leque de escolha, encontramos os: atormentadamente falsos poetas (e também profetas!), os falsos músicos (estes últimos em franco desenvolvimento) os críticos políticos (criticam, criticam e não fazem nada) até aos amantes da bola e das “boas” mulheres. Tudo isto, meus queridos loucos-leitores, para explicar que se todos os representantes dessas espécies resultantes da boçalidade humana, têm direito “a um blog, sff!” também a loucura têm!

Fala a Loucura: E tenho dito!

Moria – a Loucura

Tuesday, February 07, 2006

Porque raio, têm a loucura um blog?

Ontem perguntava-me um amigo antigo – mais velho que o próprio tempo – porque, raio, têm a loucura um blog? Bem, querem maior loucura do que esta rede de blogs a que alguns chamam “blogosfera”? Neste emaranhado de textos, citações, poemas e bilhetes de suicídio, a loucura predomina. Desde meninas e meninos de 13 anos que entre os pokemons e o harry potter, começam a alucinar depressivamente ou porque o cão foi atropelado ou porque a mãe lhes bateu; até rapazinhos e rapariguinhas com 15/16 aninhos armados em pseudo-gógós (ai ai, como a loucura adora a expressão gógó!) deixando longas cartas de suicídio (o que até a mim, me mete impressão! Eu a encarnação da Loucura não compreendo o porquê de tão longas cartas, se se querem matar, matem-se! Ora bolas, já dizia o engenheiro com que tive a bondade de travar uma longa amizade:Se te queres matar, porque não te queres matar? Ah, aproveita! Que eu, que tanto amo a morte e a vida, Se ousasse matar-me, também me mataria....Ah, se ousares, ousa!” (1).) que infelizmente, nunca se realizam, perfilham depois os seus bloguezitos com imagens dolorosas ( de levar verdadeiramente ao vómito – nunca vos disseram, que o lugar das entranhas humanas é dentro do seu recipiente próprio?) entre as quais, uma me ficará para sempre na minha imortal memória: um prego a ser espetado num dedo ou um dedo a espetar-se num prego – de facto, nunca compreendi bem a “dinâmica” da imagem. Mas oh maravilhosa metafísica da estupidez! Ao contrário do que dizia o meu querido Erasmo, eu não nasci apenas para trazer a felicidade (se assim fosse, não era a Loucura mas sua Santidade, o Papa – se bem, que também é louco.) mas também a infelicidade. De facto, jogo com ambas a meu bel-prazer, tendo por palco a boçalidade humana.

E assim me despeço, momentaneamente,

Moria – a Loucura

(1) – Nota para “analfabetos culturais” – poema de Álvaro de Campos: “Se te queres matar, porque não te queres matar?”.

Friday, February 03, 2006

Servos e Loucos

Há muitos anos atrás, estava eu a passar calmamente por mais uma vitrine de livros velhos e empoeirados, quando de súbito o meu olhar se retém num título em especial: “Servidão Humana” – Somerset Maugham. Nunca li o livro – a loucura não tem tempo para ler livros, está com efeito, demasiado ocupa em viver a loucura e enlouquecer os outros. Mas os servos não são loucos, são servos.
Hoje há luz desses anos, penso vagamente se tal título não é de facto, o resumo da realidade portuguesa. Para onde quer que eu olhe, só vejo servos. Escravos de vidas miseráveis. Um sonhador com fome de sonhos distingue-se do servo social com fome de alimentos. Distinguem-se fundindo-se. Hoje o escravo não tem só fome de sobrevivência, ele aspira a libertação da vida – fez-se sonhador, e consequentemente, louco. Enquanto louca, confesso um carinho especial por estes loucos. São os novos-pobres e ao mesmo tempo os novos-conversos da loucura.

Nos tempos que correm, baralhados, todos os servos são loucos e os loucos servos.
Mas não é louco suficientemente louco, para terminar com a sua servidão?